terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Anti-Parangolé



O Anti-Parangolé

de Virgínia Walton

A primeira vez que os vi, eles estavam tímidos, pendurados em cabides embaixo da rampa, lá no MAM do Rio de Janeiro, representando a Tropicália. P4 capa 1, o Parangolé usado por Caetano Veloso, estava entre os presentes.
Quando os vesti, um por um, fui tomada por um êxtase.. Seus tecidos, seus movimentos, suas cores, seus dizeres... Me disseram que preferiam estar na rua, na praça, na Mangueira, e me perguntaram se eu não poderia pelo menos dançar um pouco com eles. Foi o que fiz.
A segunda vez que os vesti, foi no MAM de São Paulo.. Eles estavam pendurados na parede, ao lado de um fone de ouvido. Me disseram que preferiam estar na rua, na praça, na Mangueira, e me perguntaram s eu não poderia pelo menos dançar um pouco com eles.
Foi o que fiz.
A terceira vez que os vesti, eram suas reproduções. Baseada na carta de Hélio Oiticica enviada a Paulo Brusky, os reconstruí. E dessa vez, coloquei-os na praça, com músicas brasileiras, participadores empenhados, espectadores intrigados. O vestir e o assistir se concretizando ali nas cores vibrantes.
A quarta vez que os vesti, foi na sala climatizada. As chamas percorriam o tecido, corroíam as cores. Me disseram que preferiam estar na rua, na praça, na Mangueira, e me perguntaram se eu não poderia pelo menos dançar um pouco com eles.
Foi o que fiz. Pela última vez.